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Seu preço é justo? Aprenda quanto cobrar pelo seu trabalho!

Será que você está fazendo uma boa precificação do seu trabalho? Aprenda a calcular o seu valor nesse artigo com uma fórmula muito simples 🙂

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A importância da precificação

É muito natural que no início da nossa carreira a gente faça a precificação dos nossos trabalhos na intuição. Você cobra R$100 de um trabalho que percebe que deveria valer R$500, cobra pouco de uma empresa grande, e muito de uma empresa pequena. Mas isso acaba gerando alguns gargalos tanto para você, como para o seu cliente.

Imagine que você acabou de comprar um livro por R$50 em uma loja online e aí descobre que o seu amigo pagou metade do preço pelo mesmo livro. Você não ficaria muito satisfeito com a loja que fez isso e muito provavelmente não voltaria mais comprar nessa livraria, não é mesmo?

E é isso que acaba acontecendo quando cobramos valores de clientes sem um cálculo racional por trás: viramos a livraria vilã que cobra mais de um do que de outro.

E para sermos justos com todos os nossos clientes, ou futuros clientes, definimos uma precificação dos nossos produtos.

Mas trabalhar com preço de produto é simples, porque você produziu e ele está lá. E quando falamos de serviços que, como muitas vezes acontece no nosso caso como artistas, um mesmo serviço pode levar 1 dia e outros 1 ano?

Para isso, existe a precificação de custo por hora, o grande trunfo financeiro de nós profissionais livres.

Essa precificação funciona de uma maneira bem simples: você descobre quanto vale a sua hora, calcula quantas horas vai levar para finalizar um projeto, multiplica um pelo outro e tá-dá! Você acaba de definir a precificação do seu projeto.

Mas pra entender mior como calcular o valor da sua hora e os detalhes por trás da criação de um orçamento, tem mais assunto pela frente

Descobrindo o seu valor por hora

Se você não curte muito fazer cálculos matemáticos, já deixei uma ferramenta que calcula o seu valor de hora automaticamente, que você pode visualizar clicando aqui.

Mas se você é como eu que, mesmo com uma ferramenta que faz isso tudo automaticamente, gosta de saber como funciona o cálculo, vou explicar ele nos passos seguintes.

Defina suas despesas

Água, luz, internet, aluguel, condomínio, equipamentos e softwares. Some todas as despesas mensais obrigatórias para você fazer o seu trabalho sem problemas.

Caso o seu trabalho seja home office e você utilize as mesmas despesas para casa e para o trabalho, eu costumo considerar um valor de 30% das despesas para o cálculo.

Defina quanto você quer ganhar por mês

Muitas pessoas acreditam que o valor da hora que define o quanto você vai ganhar por mês, mas o contrário também é possível.

Por isso, nesta parte você vai definir um objetivo do quanto pretende ganhar por mês. Mas, seja realista. Comece definindo a partir do quanto você já ganha hoje e, caso queira aumentar o seu faturamento mensal, vá aumentando aos poucos o valor da sua hora trabalhada.

Lembre que essa conta deve ser usada primeiro para definir quanto está valendo a sua hora HOJE e, depois de ter essa resposta, você poderá planejar um aumento progressivo no valor da sua hora.

Defina quantas horas você quer trabalhar por mês

Para saber quantas horas trabalho por mês, costumo calcular quantas horas trabalho por dia x quantos dias da semana trabalho. Assim consigo calcular rapidamente quantas horas trabalho em um mês.

Por exemplo: Em um padrão de trabalho comum, uma pessoa trabalha cerca de 8 horas por dia durante 20 dias em um mês. Logo, faço 8 x 20, resultando em 160 horas mensais.

Calculando a sua hora de trabalho

Agora que já sabemos quais são nossas despesas, quanto ganhamos ou queremos ganhar e quantas horas trabalhamos, para identificar qual o valor da sua hora, basta seguir a fórmula abaixo (ou baixar a ferramenta que calcula automaticamente o seu valor/hora clicando aqui):

Despesa + Quanto quer ganhar ÷ Total horas mês = Seu Valor Por Hora

Usando alguns valores de exemplo, essa conta ficaria:

1000 + 1000 ÷ 160 = R$12,50 por hora.

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Criando orçamento para o seu cliente

Tá, mas como faço para cobrar o meu cliente a partir deste valor então?

Para isso, utilizamos uma segunda fórmula que vai calcular quanto custa a produção de cada projeto, seguindo os seguintes parâmetros:

Defina quantas horas você vai gastar

Para sabermos quanto devemos cobrar por um projeto, precisamos entender quantas horas vamos precisar despender para a realização dele.

Mas essa parte tem meio que um segredo. A maioria das pessoas costumam calcular apenas o tempo de produção do projeto, desconsiderando outras partes importantes que também são necessárias para a realização. Portanto, costumo separar o cálculo de horas com o projeto da seguinte forma:

Horas de Atendimento: Adicione aqui quantas horas em média serão utilizadas para reuniões, acompanhamentos e feedbacks com o cliente.

Horas de condução: Se você vai precisar se locomover para a realização do projeto, lembre-se de adicionar o tempo de deslocamento do seu lugar até o local do projeto, além do tempo de condução para reuniões.

Horas de colaboradores: Vai fazer o projeto com outros parceiros e colaboradores? Lembre de adicionar o tempo deles também! Eu costumo calcular metade de uma hora para cada hora de um colaborador, dependendo do acordo feito com ele, mas isso vai de você e do combinado que você faz com as pessoas que vão trabalhar com você no projeto 🙂

Horas de produção: Agora sim! Aqui vamos calcular quanto tempo em média será levado para a realização do projeto em si. Caso nunca tenha calculado quanto tempo você tem gasto com os seus projetos, olhe para o projeto e tente tirar uma média de quanto tempo você acredita que será necessário para realizar a tarefa proposta.

Horas de alterações: Além da produção, em muitos casos, existem as famosas alterações. Apesar de algo incômodo para a maioria dos profissionais, ela existe e você deve separar um tempo para elas também no seu orçamento.

Horas de imprevistos: Por fim, sempre tem uma coisinha ou outra que não vai sair como o planejado. E para a dor de cabeça não chegar sem uma recompensa, também adicionamos uma quantidade a mais de horas para esses eventos.

Defina o porte da empresa do seu cliente

Essa parte também pega um pouco mais na hora de cotar um trabalho, que faz muitas empresas acharem o seu serviço “caro” ou “barato demais”.

Isso se dá porque os valores que uma empresa podem pagar variam do porte dela. Uma empresa de uma pessoa só tem ganhos e gastos muito diferentes de uma empresa de mais de 500 funcionários, você não concorda? Além de que, o impacto que o seu trabalho vai causar em um projeto pequeno (como um retrato para uma pessoa, por exemplo) para um projeto com grande distribuição (como uma campanha de marketing nacional, por exemplo) são muito diferentes.

Então, para adequarmos o nosso orçamento de acordo com a realidade de cada empresa, vamos primeiro entender quais são os portes das empresas de acordo com os dados fornecidos pelo IBGE:

Microempresa: Até 9 colaboradores ou com faturamento de até R$360 mil por ano.

Pequena empresa: De 10 a 49 colaboradores ou com faturamento entre R$360 mil até R$3 milhões e 600 mil por ano.

Média empresa: De 50 a 99 colaboradores ou com faturamento entre R$3 milhões e 600 mil até R$6 milhões por ano.

Grande empresa: Acima de 100 colaboradores ou com faturamento acima de R$20 milhões por ano.

Colocando esses segmentos em números, faz a gente perceber um pouco mais a grandeza de cada empresa que estamos trabalhando né? hehe

Na nossa fórmula, vamos definir o tamanho da empresa por números, podendo ser: 1 para microempresa, 1,5 ou 2 para pequena empresa, 3 para média empresa e 4 para grande empresa.

E para descobrir o porte da empresa que você está orçando, basta dar uma pesquisada na internet ou fazer uma visitinha até a sede do seu cliente :))

Adicione uma margem de segurança

Esse princípio segue de forma similar as horas de imprevistos citadas acima, mas com algumas outras considerações.

Taxas administrativas (impostos): Se você é um trabalhador legalizado, seja pelo regime MEI ou outros regimes empresariais, você possui uma taxa de imposto a ser paga para o governo pelo trabalho que está fazendo. Lembre-se de adicionar essa porcentagem em seu orçamento.

Taxa de urgência: É um projeto pra ontem que vai prejudicar a execução de todos os seus projetos que já estão em andamento? Adicione um valor para a taxa de urgência.

Margem de lucro: Além de todos os cálculos de custos, adicionamos uma margem de lucro que é para ajudar a sustentar o crescimento da sua empresa. Essa margem costuma variar entre 5% e 15% do custo de produção.

Calculando o valor do seu orçamento

Agora chegamos na hora mágica de saber quanto vai ficar o projeto a ser executado!

Após considerar todos os pontos, chegamos a seguinte fórmula:

Seu valor por hora x Horas do projeto x porte da empresa + margem de segurança = Valor final do seu projeto! 🙂

Usando o exemplo de R$12,50 por hora que citamos acima e alguns outros números, essa conta ficaria:

12,50 x 100 x 1 + 10% = R$1512,50

Sei que são muitas coisas para se levar em consideração, e é por isso que na hora de calcular os orçamentos para os meus projetos eu uso uma ferramenta que calcula tudo de forma simples e automática que desenvolvi pra facilitar a minha vida, que você pode baixar clicando aqui.

Apresentando um orçamento legalzudo

Apesar de ter feito todos esses cálculos, o que eu indico na hora de apresentar o orçamento para o seu cliente, você mantenha as informações da forma mais simplificada possível.

Tanto é que nos meus orçamentos costumo colocar apenas as seguintes informações:

  • Cidade, Data
  • Orçamento de “NOME DO TRABALHO” para “NOME DA EMPRESA”;
  • Descrição do Trabalho, prazo de produção;
  • Valor total do projeto;
  • Valor parcelado do projeto e formas de pagamento.
  • Validade do orçamento e informações de contato (site, e-mail e telefone)

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Negociando e aprovando seu orçamento

O orçamento chegou até a mão do seu futuro cliente e ele te faz a tão temida ligação para negociar o seu serviço.

O que fazer agora?

Apesar de estarmos entrando em um assunto um pouco mais pessoal, que varia muito da sua política de trabalho, a política de trabalho que costumo trabalhar é a de não dar descontos.

Mas calma, isso não significa que você não deva ser flexível.

É uma prática muito natural de mercado que as pessoas peçam desconto pelos serviços e isso não significa necessariamente que a pessoa está achando o seu trabalho caro.

E o motivo de eu não dar descontos é que isso tende a diminuir a percepção de valor do meu trabalho com o tempo.

Então, para manter a percepção de valor do meu trabalho alta e ainda alegrar o cliente, eu costumo facilitar a forma de pagamento (divindindo em mais vezes, por exemplo) e dar bônus para o orçamento mais caro, que está alinhado com a minha outra prática de oferecer 3 opções de serviço para atender a necessidade do cliente, sendo um simples, um mediano e um completo.

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Produção e acompanhamento de projeto

Mesmo após o cliente fechar, é necessário manter um bom relacionamento durante o projeto.

Apesar de esse ser um assunto para um outro artigo completo, vou abreviar algumas práticas legais durante a produção do projeto:

Seja acessível: Não fuja do seu cliente se algo tiver dando problemas, e esteja sempre acessível, respondendo as mensagens dele, assim você evita que ele sinta que você só queria o dinheiro dele.

Dê feedbacks: Envie e-mails semanais explicando sobre o andamento do projeto com algumas comprovações do que está sendo produzido, como rascunhos, textos e imagens, por exemplo.

Mantenha-se no prazo: Essa é uma parte muito importante que muitos profissionais pecam na hora da execução. Sei que existem muitas causas para esse resultado, mas procure sempre se planejar e apresentar uma proposta alinhada com o tempo que você realmente vai levar para produzir um determinado serviço.

Do meu ponto de vista, é melhor dar um prazo mais longo e explicar para o cliente o motivo do prazo determinado do que falar que vai fazer no tempo que o cliente quer e se queimar no futuro por não entregar.

Essas dicas parecem óbvias, mas você se surpreenderia em saber quantos clientes sofrem com profissionais que não atendem uma ou todas essas considerações.

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Controle financeiro de pagamentos

Chegou a hora do cliente cumprir com a parte do compromisso dele: o pagamento.

Se você tem dúvidas de como cobrar um pagamento, existem algumas formas disponíveis hoje em dia:

Pagamento online: Muito utilizado hoje em dia entre os freelancers, o Paypal e o Pagseguro disponibilizam a cobrança online dos seus serviços, onde o cliente pode escolher pagar com boleto, cartão de crédito ou débito. Ele passa uma segurança a mais para o cliente, mas não possui nenhuma proteção ao cobrador em caso de atrasos ou inadimplências.

Pagamento via boleto: Uma das modalidades ainda mais utilizadas no mercado atualmente, o pagamento via boleto te protege tanto para o recebimento, quanto para casos de atrasos ou inadimplências, visto que após o vencimento do boleto é cobrado uma multa e, na falta do pagamento por x dias, o nome da pessoa ou empresa vai para protesto.

Caso você seja MEI e não tenha uma forma de emitir boletos, existem opções de utilizar empresas intermediadoras, onde elas fazem o gerenciamento dos seus boletos por uma taxa e transferem o valor para você. Eu trabalho com uma empresa chamada Cobre Fácil, mas existem várias outras empresas legais no mercado também.

Pagamento via transferência bancária: Essa é uma modalidade que não indico para ninguém profissionalmente, pois dessa forma não há nenhuma garantia do pagamento a ser realizado. No entanto, quebro essa regra para clientes mais antigos que nunca me deram problemas e pessoas próximas.

Aqui também sugiro algumas coisas para lembrar o cliente de fazer o pagamento do trabalho:

  • Envie um e-mail com 10 dias de antecedência do vencimento do pagamento com instruções para pagamento (caso seja via boleto, adicione o boleto nos anexos);
  • Envie um e-mail no dia do vencimento lembrando o cliente de fazer o pagamento, caso ele ainda não tenha o feito;
  • Se possível, ainda envie junto um sms no dia do vencimento lembrando o cliente de fazer o pagamento, caso ele ainda não tenha o feito;

Por último, é extremamente importante fazer um controle financeiro para você não se perder na hora de administrar as suas contas, mas deixo para falarmos sobre esse assunto em um outro artigo, okay?

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Conclusão

Agora você já sabe quanto vale a sua hora, como orçar o valor de um projeto inteiro para fazer a sua precificação e, ainda pra dar mais umas dicas, falamos da parte de negociação, acompanhamento e cobrança de um projeto.